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Dom Bernardino Marchió é o atual Bispo Diocesano de Caruaru.
Dom Bernardino Marchió
 
08.04
Conversão e amor pela vida

Neste domingo de Ramos, depois das reflexões que a Campanha da Fraternidade sobre biomas brasileiros e a defesa da Vida exigiu de todos nós, a Igreja Católica nos convida a fazer um gesto de solidariedade e colaborar através de gestos concretos a salvar a natureza e a defender a vida de todas as pessoas. É a coleta da Fraternidade que acontece em todas as Paróquias. É o convite à conversão que no caminho da fé, indica sempre para a aurora de um novo dia. Ela dissipa as sombras de morte que envolvem o nosso coração e comprometem a nossa caminhada de filhos e filhas de Deus, mas também de comunidade, que através do trabalho e da solidariedade, se empenha para construir uma sociedade, na qual os valores que protegem a vida e o bem comum sejam transmitidos e valorizados. Ela renova não somente a nossa vida interior e a comunhão com Deus, mas também com as pessoas que amamos, que fazem parte da nossa vida na família e na comunidade. Ela nos dá a oportunidade de mantermos viva a esperança no amor, na vida e no amanhã, mesmo quando vemos tantos sinais de morte ao nosso redor.

O caminho da conversão passa pelo coração. Para alguns, talvez, esse seja o percurso mais difícil, porque exige descer ao mais profundo do próprio "eu", e, ali, faz deparar com as pedras da indiferença, do egoísmo, da autossuficiência, da falta de amor e da caridade, que foram se acumulando ao longo do tempo e acabaram bloqueando a porta de entrada do coração. Tornaram-no um sepulcro de morte, ao invés de um lugar aberto para acolher a graça de Deus e sua Palavra que alimentam a vida.

E, neste ano, a conversão tem uma característica especial: deve ser também ecológica.

O Papa Francisco escrevendo aos católicos, mas também se dirige a todas as pessoas que quiserem se associar, lembra que o cuidado com a criação tem implicações com a fé e o modo de viver cristão. É uma questão de moral social que implica em responsabilidade, seja por atitudes destrutivas ou por omissões.

Muito importante é a reflexão desenvolvida por Francisco na encíclica, Laudato Si, que traz o título "Educação e espiritualidade ecológicas". O foco é suscitar a conversão ecológica na certeza que não bastam somente soluções técnicas. Formar a consciência para desenvolver novas convicções, atitudes e estilos de vida.

Como ponto de partida aponta para um outro estilo de vida que não seja o consumista. O consumismo compulsivo, além de gerar danos para a saúde, gera desperdício e necessita avançar sobre os recursos naturais. Um estilo de vida sóbrio manifesta a preocupação com as gerações futuras. É alegrar-se com o necessário. A sobriedade, vivida livre e conscientemente, é libertadora. Trata-se da convicção de que "quanto menos, tanto mais". O Papa Bento XVI disse que: "Comprar é sempre um ato moral, para além de econômico". Cada compra não é uma simples transação econômica, mas tem implicações de corresponsabilidade. Comprar de quem degrada o bioma é ajuda-lo a manter a sua prática destrutiva.

Educar para a aliança entre a humanidade e o ambiente. O desafio de educar é grande, ainda mais um educar que leve a mudar hábitos, e não apenas ofereça informações. Os seres humanos não vivem competindo com a natureza, mas são aliados. Recuperar a aliança consigo mesmo, a solidariedade com os outros, o natural com todos os seres vivos, o espiritual com Deus. A educação ambiental deveria predispor-nos para dar este salto para o Mistério, do qual a ética ecológica recebe o seu sentido mais profundo. É a valorização das pequenas atitudes que são o princípio das grandes mudanças.

Desejo uma boa Semana Santa para todos!

 
 
 
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