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Dom Bernardino Marchió é o atual Bispo Diocesano de Caruaru.
Dom Bernardino Marchió
 
14.09
Palavra que mostra o caminho

No mês de setembro a Igreja Católica no Brasil quer dar um destaque especial à Bíblia: é claro que a Palavra deve ser a luz que clareia a vida dos cristãos todos os dias do ano, mas é também uma boa oportunidade aproveitar neste mês de todas as iniciativas para conhecer melhor o livro sagrado.

O mês escolhido se deve ao fato de celebrarmos, no dia 30, a memória de São Jerônimo, patrono dos estudos bíblicos, que traduziu dos originais a Escritura, além de grandes e importantes comentários sobre a mesma.

Cada ano tem um tema, um lema e um livro da Bíblia a aprofundar. Neste ano o tema do Mês da Bíblia é "Para que n'Ele nossos povos tenham vida" (dentro da sequência de continuar com o tema da V Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho em Aparecida, vivido há dez anos). O lema é "Anunciar o Evangelho e doar a própria vida".

É bom lembrar que, algumas vezes, quando se fala da Bíblia, se recorre a um monte de termos e elementos que falam da sua importância apenas indiretamente: a Palavra, os Textos Sagrados, o Antigo Testamento, o Novo Testamento, os Livros Sagrados etc, porém não podemos nos esquecer que autor dessa palavra é o próprio Deus. Este mês não é apenas o mês de um livro. É o mês que nos lembra a revelação de Deus cumprida totalmente em Jesus Cristo, o Verbo, Palavra eterna que se fez carne e cujas experiências, profecias e anúncios se encontram escritos nas Escrituras.

A Bíblia é comunicação do caminho da salvação de Deus com seu povo e do povo com seu Deus. Antes da Bíblia ser aula de história, ser testamento dos feitos de Deus na história humana, ser patrimônio da fé judaica e cristã, a Bíblia é atual e o constante comunicar de Deus. Deus já falou ao ser humano diversas vezes e de diversos modos, porém, de uns tempos para cá, sua comunicação ficou mais evidente. A Bíblia, em Cristo, tornou-se uma comunicação muito íntima de Deus, pois Ele fala, e se revelou plenamente em Jesus Cristo, o rosto humano de Deus.

Assim, entenda-se a voz de Deus não apenas nas letras, no papel, no livro, mas no mundo. A comunicação de Deus está em todo lugar. Ele sempre fala à sua criatura, mas para entender essa fala é preciso ter este livro aberto (a Bíblia) e o coração disposto a ouvir.

Depois da Conferência de Aparecida em 2007, a CNBB tem incentivado a comunicação com Deus através da Bíblia por meio da "Leitura Orante" que, na realidade, é um jeito de conhecer, meditar, rezar, contemplar e agir conforme a comunicação de Deus através da Bíblia. Todos os cristãos leigos, religiosos e sacerdotes são chamados a praticar a Leitura Orante, de modo especial as comunidades, grupos de reflexão, círculos bíblicos e outros. Deve ser a Palavra de Deus a nortear nossa reflexão e não um fato inventado por uma história. A Palavra irá iluminar os fatos da vida verdadeira de cada um.

A Lectio Divina vem do latim e tem como significado "leitura divina", "leitura espiritual" ou ainda, como convencionamos traduzir entre nós, "leitura orante da Bíblia", é um alimento necessário para a nossa vida: leitura, meditação, oração e contemplação. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e a sua vontade, pode-se produzir os frutos espirituais necessários para a salvação. A Lectio Divina é deixar-se envolver pelo plano da Salvação de Deus. Os princípios da Lectio Divina foram expressos por volta do ano 220 e praticados por monges católicos, especialmente as regras monásticas dos santos: Pacômio, Agostinho, Basílio e Bento. Mais recentemente, Santa Terezinha Do Menino Jesus dizia, em período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela busca no Evangelho o alimento de sua alma.

O Concílio Vaticano II exorta igualmente, com ardor e insistência, a todos os fiéis cristãos, especialmente aos religiosos, que, pela frequente leitura das divinas Escrituras, alcancem esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo.

 

 
 
 
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