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Editorial
 
22.07
O trabalho como ‘‘arma" para reconstruir vidas

Neste domingo (23), completa um ano da maior rebelião da Penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru. Antes conhecida nacionalmente pelo excelente trabalho de ressocialização que sempre tem desenvolvido com os presos, a PJPS ganhou os noticiários do país, no ano passado, devido a morte de seis detentos, sendo que quatro tiveram as suas cabeças decapitadas. Dezenas de detentos também ficaram feridos durante o motim, que acabou mobilizando quase 200 policiais e socorristas do Samu.

Um ano depois, nossa reportagem esteve no local, onde quase tudo foi destruído. O que encontramos por lá foi quase tudo reconstruído pelas próprias mãos dos detentos. Dois pavilhões foram totalmente recuperados e dentro da Penitenciária, mas parece um canteiro de obra. Novos alojamentos estão sendo construídos e o último dos pavilhões que foi destruído, terá sua reforma iniciada nos próximos dias.

De acordo com os próprios detentos, o foco tem sido o tratamento humano que tem sido dado a todos eles, principalmente quando a condição de trabalhar ou estudar é oferecida. Como quase todas as unidades prisionais do país, a PJPS continua com superlotação. Com capacidade para comportar cerca de 500 presos, hoje ela tem mais 1.250 aproximadamente, mas o clima por lá tem sido bom.

Outro detalhe interessante é que na unidade prisional, todos, sem exceção, querem tirar exemplo de tudo que ocorreu de ruim, para construir um futuro promissor. "Aqui todos nós somos tratados com dignidade. Isso ajudou bastante na reconstrução do espaço", disse o agente penitenciário e atual vereador Sérgio Paulo Siqueira. "Aqui o foco é projetar um futuro diferente com muito trabalho e oportunidade para quem errou e quer se reintegrar à sociedade", destacou o diretor da unidade, Paulo Paes.

O primeiro motim computado na história da unidade prisional ficou caracterizado, entre outros motivos, pela superlotação e rivalidade entre os presos. De acordo com informações repassadas na época, dos seis mortos, cinco tinham acusações de estupro contra eles. "Geralmente em motins, quem tem acusação desse tipo de crime acaba sendo vítima. Mas vale lembrar que muitos detentos foram internados em estado grave tanto em Caruaru como em hospitais da capital pernambucana", acrescentou Paulo Paes.

Atualmente, pelo menos 500 reeducandos estão em algum tipo de atividade ligada ao trabalho, à educação e, principalmente, na reconstrução da estrutura física da unidade. Na opinião de todos os envolvidos na PJPS, servidores concursados, contratados, voluntários e detentos, o caminho está sendo trilhado de forma correta com muito trabalho. Até porque, somente como muito trabalho, que o futuro sólido acaba sendo construído.

 
 
 
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