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Editorial
 
11.11
Operação Torrentes

Na manhã da última quinta-feira (9), a Polícia Federal deflagrou a Operação Torrentes, sob a coordenação da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal de Pernambuco. Cerca de 260 homens foram utilizados para cumprir 70 mandados judiciais de prisão, condução coercitiva e busca e apreensão. Os alvos foram o Palácio do Campo das Princesas, a sede da Vice-governadoria, além de alguns prédios onde funcionam órgãos estaduais na Região Metropolitana.

O foco dessa operação foi o desvio de recursos de verba (mais de R$ 100 milhões), que foi liberada para a reconstrução de cidades e vilarejos que foram devastados com a cheia de 2010. Entre os investigados da PF, estavam coronéis da PM, inclusive um ex-comandante geral da Polícia Militar e um ex-interventor de Gravatá.

Os números e relatos da Polícia Federal são de chamar atenção. Para se ter uma ideia, naquela época muita gente doou água e colchões e, em alguns casos, as doações foram colocadas como material adquirido através de compra.

No dia seguinte à operação, vários órgãos de comunicação foram às cidades atingidas pela cheia, como Palmares, Barreiros, Catende, Água Preta, entre outras. Em alguns casos existe o fato de populares que ainda aguardam a chegada da ajuda, sete anos após o acontecimento.

A PF disse ainda que não tem ideia dos valores que foram desviados, pois nesse primeiro momento o foco é resgatar documentos que indiquem o total roubado. A estimativa é que pelo menos 30% dos R$ 450 milhões liberados tenham sido desviados em licitações ou compras fraudulentas.

Esse fato coloca ainda mais molho no jogo eleitoral de 2018, já que a sessão ordinária da Assembleia Legislativa, que seria realizada na quinta-feira (9), não durou mais de dez minutos, principalmente pela ausência de deputados da base, a grande maioria da Casa Joaquim Nabuco.

Enquanto isso, a população está atenta a tudo o que acontece, pois essa operação deve mexer de forma significativa na sucessão estadual.

A oposição disse que o governador Paulo Câmara deveria ter se pronunciado pessoalmente e ‘não se esconder através de uma nota'. Nesse momento, é importante ter cautela e aguardar a conclusão do inquérito, já que a PF disse que todos os mandados judiciais foram cumpridos na sua essência.

 

 
 
 
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