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Editorial
 
14.09
Crise ética parece não ter fim

Esta semana vivemos mais um capítulo da triste história que está marcando o processo político no país, com uma nova denúncia contra o presidente da República, Michel Temer. Segundo a Polícia Federal, existem provas fartas de recebimento ilícito de dinheiro, que havia sido desviado dos cofres públicos.

Essa nova denúncia foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Roberto Barroso, e envolve ainda o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, assessor direto e de estrita confiança do presidente, além de mais dois empresários. Eles são suspeitos de cometer crimes de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

Esse pedido de investigação foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para apurar suspeitas de recebimento de vantagens indevidas dos envolvidos pelo suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do Decreto dos Portos (Decreto 9.048/2017).

Vale lembrar que Rodrigo Rocha Loures foi aquele que foi flagrado com uma maleta contendo R$ 500 mil em espécie, depois de receber o valor como pagamento de propina. Segundo a PF, esse dinheiro tinha como destinatário final o presidente da República. Temer conseguiu escapar da primeira denúncia que chegou contra ele porque, para abrir um processo contra um presidente, uma autorização da Câmara dos Deputados é necessária, através de votação em plenário.

Caso essa denúncia chegue à Câmara novamente, é bem provável que com suas artimanhas e jogando com o dinheiro público na liberação de verbas e autorização de ordens de serviços, o presidente se safe mais uma vez, já que atualmente dispões de ampla maioria para esse tipo de matéria. O problema é que o procurador Rodrigo Janot deve apresentar, até esta sexta-feira (15), pelo menos mais duas ações contra o presidente e todas elas envolvendo corrupção, formação de organização criminosa e peculato.

Na tentativa de se manter na cadeira de presidente até o final de 2018, Temer vai jogar pesado, embora esteja bastante fragilizado por vários fatores, entre eles a prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que foi flagrado com R$ 51 milhões escondidos em um apartamento. Sem falar no doleiro Dilson Funaro, que afirmou à força-tarefa que toca a Operação Lava Jato ter provas contundentes contra Temer. Funaro operava a verba ilícita recebida pelos integrantes do PMDB.

A partir da próxima segunda-feira (18), os trabalhos da Operação Lava Jato, no âmbito da Procuradoria Geral da República, vão ficar sob os cuidados de Raquel Dodge, que assume a PGR, causando muitas expectativas no meio político. Ela foi escolhida pelo presidente Michel Temer e, devido a esse fato, existe um temor que a Lava Jato se desintegre.

Nesse caso, é importante demais a participação da população cobrando de seus deputados e senadores atitudes em relação ao combate à corrupção, que praticamente quebrou o país, levando mais de 13 milhões de pessoas ao desemprego e milhares de empresas à falência. Temos que fazer nossa parte e a melhor forma é pressionar através das redes sociais.

O avanço que a Operação Lava Jato trouxe ao país, no que diz respeito ao combate à corrupção, não pode ser interrompido.

 
 
 
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