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Rita de Cássia Souza Tabosa Freitas é advogada e professora de Filosofia.
Rita Freitas
 
20.01
Cuidado com a cultura

Um povo sem educação é um povo que não prospera. Essa é uma máxima que todos conhecem e concordam, o que é estranho é que nos preocupemos tão pouco com o cumprimento dela. Aceitamos com muita facilidade anos e anos, décadas e décadas de sucateamento de nossa educação como se fosse a coisa mais banal do mundo. Consequentemente, assim também negligenciamos a nossa cultura, sendo refém da cultura eurocêntrica e americana, além da aceitação fácil de tudo o que é produzido por uma próspera indústria cultural.

Não é difícil encontrarmos críticas a cultura do povo, rotulada de antiga e atrasada. Entre a juventude encontramos as maiores vítimas dessa falta de apresso a cultura do povo. Com a errada ideia de que o que toca e se apresenta na mídia é o melhor, rapidamente esquece de suas raízes e incorpora o "vendido" como o sendo superior e mais "cool". Assim o funk carioca, o batidão, o sertanejo midiático vende seu peixe e muitas músicas com um linguajar nada romântico ou poético ganham espaço entre a juventude. Surge então as músicas em homenagem a "bunda", a "xeca", ao "desce até o chão", "ao quadradinho de oito", a "beber todas", sempre sob o som hipnótico de uma música alucinante. Com um apelo incomum ao sexo fácil, assistimos o crescimento financeiro da indústria do desvalor das pessoas e dos relacionamento autênticos.

E nesse espaço, a cultura popular sucumbe pela falta de cuidado, pela falta de incentivo, pela falta de valorização. Considerada pela grande massa como antiga e ultrapassada, a cultura popular também não encontra espaço nas políticas públicas. As escolas ignoram esse tipo de cultura e educam uma geração que não reconhece o valor de sua identidade. Estar de acordo com os modismos é mais importante do que exigir a valorização dos espaços da nossa cultura ancestral, pois o tradicional vira facilmente símbolo do que é antigo e atrasado,

Cuidar da nossa cultura é tão importante como cuidar da educação formal. Educar não é só formar o indivíduo para o mercado de trabalho, é forma-lo em sua integralidade. Hoje, assistimos a preocupação sobre cuidar da cultura como conversa de intelectual, como discurso afastado do povo, que não tem a consciência de que acabar com a cultura popular é estrangular a sua voz e entregar o futuro a inercia da massificação da cultura industrial em detrimento da nossa própria voz.

 
 
 
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