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Rita de Cássia Souza Tabosa Freitas é advogada e professora de Filosofia.
Rita Freitas
 
08.04
Polarização

Seria a história cíclica, espiralada ou linear? Afinal como explicar acontecimentos que se repetem em moldes muito semelhante? Quem teria razão: Nietzche, Santo Agostinho, Vico, a Escola dos Anales? Como explicar que nos antecedentes do Golpe Militar de 64 houvesse um terrível clima de polarização entre o povo brasileiro, clima que antecede a falsa revolução entre os conservadores e os esquerdistas. Como explicar que mesmo tendo apoio popular, Jango não lute para permanecer no poder? Como explicar que aceitássemos um autoritarismo tupiniquim com tanta facilidade e ainda haja quem discuta a legitimidade desse regime anti-libertário e assassino? Como explicar que ainda exista uma onda saudosista dos promotores da repressão e da morte em nome de uma ordem baseada no medo?

Hoje o Brasil vive uma nova onda de polarização: entre petistas ou petralhas e coxinhas. Petista são denominados todos aqueles que possuem discursos de esquerda e são contra o governo federal defendendo que houve um golpe parlamentar no Brasil e não os filiados ao Partido dos Trabalhadores. Coxinhas são os liberais de forma geral, que são vistos como aqueles que possuem um discurso conservador e de direita. Apesar de muita gente afirmar que no Brasil já não existe mais a esquerda e a direita, não é isso que os antagonismos e o aumento das hostilidades demonstra. Estamos vivendo tamanha polarização que não defender é acusar. Trocamos a racionalidade pela insensatez.

Desde a antiguidade ressuscitamos várias vezes o discurso maniqueísta entre o bem e o mal, fizemos isso na década de sessenta e décadas depois repetimos a mesma experiência. Há décadas com um clima semelhante a Bolívia se lançou em guerra civil, nós não somos um país que vivencia esse tipo de violência desde o início Proclamação da República, tendo em Canudos o último episódio. Mas não podemos ignorar que vivenciamos uma guerra urbana propiciada por corrupção, escolas de má qualidade, falta de participação do Estado nas periferias, ausência de leis que se adequem a nossa realidade, falência da segurança pública, entre outros fatores. A pergunta agora deveria ser: o que podemos aprender com a história para não repetirmos os velhos erros?

 
 
 
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