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Rita de Cássia Souza Tabosa Freitas é advogada e professora de Filosofia.
Rita Freitas
 
13.05
Ser mãe

Imagine se filho viesse com manual de instrução, daqueles que são ilustrados e que detalham cada passo do que se deve fazer? Saberíamos como lidar com aquele bebezinho que não fala, que é todo molinho e parece que vai se quebrar a todo instante. Mas filhos não tem manual de instrução, não vem com um programa intuitivo que nos ajuda a encontrar os atalhos necessários a uma boa educação. É tudo sofrido mesmo, em uma alternância entre alegria, sofrimento e loucura que não sabemos descrever.

Ai o filho cresce, cai, adoece, se machuca... Ai o filho vai para a casa do amigo perde a hora, não atende o celular e o coração dispara ao se imaginar nas coisas mais negativas e improváveis que possa ter acontecido. Seu bebê agora tem autonomia e descobre o maravilhoso mundo social, já sabe viver sem você. A angústia só cresce quando a adolescência chega, ai começam as festas, a bebida, o sair à noite e o pesadelo da falta de controle passa a quase insanidade, são as noite mal dormidas e as crises de ansiedade as marcas dessa fase.

Tudo isso é a preparação para vida adulta, quando a relação muda e de orientadores os pais passam a conselheiros, mas são os filhos que já fazem as escolhas do seu caminho. Caminho esse que nem sempre agrada aos pais, que têm que saber conciliar o seu desejo com as escolha que os filhos fazem. O interessante é que no fundo, no fundo, o filho ainda tem muito daquele bebê sem instruções que nós ainda tentamos proteger dos males do mundo, quando o desejo natural deles é se jogarem.

Ser mãe não é "padecer no paraíso", como dizia o poeta, é mais um eterno aprendizado de como ser aquilo que não se sabe ser, é tornar-se por necessidade o que não se tem segurança de ser. É chorar e sorrir junto, é perder os cabelos a acariciar, é se decepcionar e perdoar, a amar com tanta força que às vezes aprisiona. Ser mãe é ser amada e odiada, vista com desconfiança e representar toda segurança do mundo, é viver em um eterno contradizer pois nenhuma relação da vida é plena se não for contraditória.

 
 
 
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