Colunas
 
O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também numa emissora de rádio de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista de VANGUARDA desde 2004.
Menelau Júnior
 
11.11
Quem paga a conta do Enem?

O Ministério da Educação (MEC) está de parabéns. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi realizado no último fim de semana sem maiores incidentes. Havia mais de 7 milhões de inscritos. Uma operação de guerra foi montada em torno da segurança para a realização das provas e o sucesso é inquestionável.

Alguns estudantes foram desclassificados porque não seguiram as regras do exame. Excelente. Punição exemplar para quem não serve de exemplo. Mas o Enem 2017 deixou um problema a ser resolvido: dos mais de 7 milhões de inscritos, mais de 2 milhões (30%) não compareceram à prova, segundo dados do MEC. O índice representa prejuízo de mais de 120 milhões de reais, com base no custo por inscrito. Quem paga essa conta?

Alguém vai dizer: "O candidato". Não necessariamente. Alunos de escolas públicas e mais alguns que entram com pedido de isenção não pagam pela inscrição. É gratuita. E eles são maioria no Enem. Aliás, a maioria nem está mais nas salas de aula. Os custos são bancados pelos pagantes. O resultado dessa benevolência é esse: um grupo cada vez maior de pessoas sem nenhum compromisso com os gastos do governo e que simplesmente deixam de fazer a prova. Gasta-se com aluguel dos locais de prova (este ano, mais de 12 mil), com produção do material, com diárias de mais de 68 mil fiscais e chefes de prédio. Gasta-se muito mais do que se deveria. E quem mais gera esse gasto sequer desembolsou um centavo.

Não sou contra a isenção da taxa para alunos de escolas públicas nem para bolsistas de particulares - ainda que muitos deles tenham plenas condições de pagar. Mas esse número absurdo de faltosos (mais de 2 milhões) não pode ser considerado "normal". O governo precisa intervir, exigir justificativas dos faltosos. Quem se inscreve - e é claro que existem contratempos realmente justificáveis - tem obrigação de participar. Principalmente se não pagou pela inscrição. Como no voto. Muita gente faz a inscrição para o Enem achando que é uma festa na qual se entra sem pagar. Só que a festa custa caro, muito caro.

Enfim, alguém precisa responder pelo prejuízo de mais de 100 milhões de reais aos cofres públicos. Um dinheiro que sai do meu bolso, do seu bolso e também do bolso dos milhares de irresponsáveis que levam tudo na brincadeira.

Até a próxima semana.

www.professormenelau.com.br

 
 
 
publicidade