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Carlos Pinheiro
 
23.09
Quando bala não é confeito

Confeito é qualquer doce aromatizado, cristalizado, que adoça a boca e gera felicidade, bem como chocolate, envolto em papel colorido estalante. Vocês sabem disso. Tempos atrás corromperam a denominação confeito por bala, e confundiu a cabeça das crianças que viam bala como algo mortal para eliminar bandidos e índios, como se assistia em filmes no Theatro Caruaru, de Santino.

Neste final de semana, o companheiro de imprensa, Alexandre Farias, recebeu uma bala perdida ao passar por teatro sinistro, quando policiais e bandidos trocaram tiros no Alto do Moura, lugar que já foi aprazível, de arte e gastronomia. O sabor amargo da bala deixou gosto de sangue na boca de toda a sociedade, principalmente nos familiares de Alexandre e de três outras pessoas que saíram feridas no lamentável episódio.

Amossegando a tragédia, e de olho nas próximas eleições, o deputado federal Wolney Queiroz postou vídeo na internet, em seu automóvel, com o painho no banco de trás, expressando preocupação com nossa insegurança e dizendo ter procurado o governador para exigir as devidas providências.

Ora, deputada Laura Gomes vem pedindo providências faz tempo. Raquel Lyra cansou de oficiar ao governador pedindo socorro e Tony Gel até conseguiu batalhão a ser instalado, prometem. Pernambuco e Caruaru se destacam no cenário nacional como territórios dominados por bandidos e nada mudam.

O que o deputado deveria fazer seria reunir a bancada pernambucana e levar ao Congresso Nacional proposta de emenda constitucional onde cada estado cuidaria da segurança, com poderes de emissão de leis punitivas aos infratores. Quem sabe, com Xerife, a gente não mudaria alguma coisa, pois, hoje, o bandido recebe salário para comer e dormir no presídio, tem sexo, celular e droga em visitas íntimas e, no semiaberto, entra na casa do cidadão, estupra, mata e rouba sem pedir licença.

Já o policial que entrar no covil do bandido sem mandado judicial será punido, mesmo sabendo que ali ocorre reunião de bandos. Quando o policial é assassinado vira estatística, já o bandido, coitadinho, vira vítima da sociedade. Bandido, agora, tem audiência de custódia, e a primeira pergunta que o juiz lhe faz é se foi tratado com carinho pelo policial que pode apanhar na cara e ser morto só por ser reconhecido policial.

Vê se pode?

 
 
 
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