Colunas
 

Herlon Cavalcanti
 
18.11
Apesar de você

O poeta Chico Buarque, em uma das suas obras musicais, já dizia: ‘Apesar de você, amanhã a de ser um novo dia'. Assim relato neste artigo que a vida é o encontro da arte. O caminho ao caminhar. Às vezes o que nos parece tão próximo é, na verdade, um infinito de esperanças e decepções. Para caminhar é preciso acontecer o primeiro passo. Nessa direção, muitas vezes o caminho sempre nos leva a algum lugar, lugar que não necessariamente precisa estarmos, podemos através dos nossos pensamentos encontrar um caminho de sonhos.

Para caminhar, primeiro é preciso sujar os pés de poeira, de lama, de água, de raio de sol, da luz da lua. Em seguida, direcionar o olhar em busca do horizonte que almejamos chegar. Às vezes receber um não ajuda a construir muito mais do que um sim, pois o não também é resposta.

Têm certos momentos da vida que não entendemos os porquês de tanta morosidade e desencontros. Às vezes, a paixão primeira torna-se eterna, às vezes até some com a poeira do tempo. A primeira experiência, a angústia de ver os seus entes queridos irem embora, o primeiro beijo, a morte de quem amamos, os primeiros desejos, as primeiras madrugadas, as primeiras descobertas, o emprego que não deu certo, a solidão, a inveja dos outros pelo nosso sucesso, o incansável desejo juvenil de querer por querer sem olhar as consequências e por aí vai....

Quando a gente cresce, começa a lembrar pelo retrovisor da memória as tantas luzes que refletem o passado e seus fantasmas.

Começam a surgir as interrogações e esses mesmos fantasmas começam a ganhar corpo. São eles que nos torturam a toda hora em busca de respostas. É assim que circulam os conflitos familiares, religiosos, políticos e sociais. A vida é breve, as pessoas são falhas e, ao mesmo tempo, revolucionárias. O sagrado é a fonte inesgotável que alimenta as nossas esperanças de viver.

Escutar uma boa música, ler um bom livro, assistir a um belo filme ao lado de quem amamos, ir à feira livre e ver o universo de mundos que nos envolve, assistir a uma bela partida de futebol, recitar poesias de Mario Quintana ou outro poeta que nos identificamos... são pequenas coisas que alimentam o desejo de renovar as esperanças. Pequenos gestos em busca da felicidade momentânea tornam-se eternos na memória e no tempo que sempre está nos vigiando.

Ser poeta é ser vidro, madeira, aço, ouro, palha, às vezes frágeis, às vezes resistentes ao tempo e à história de quem a absorve.

 
 
 
publicidade