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Herlon Cavalcanti
Herlon Cavalcanti é presidente da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel.

herloncavalcanti@hotmail.com
 
Cacilda Vieira Santos, um retrato poético de Caruaru

Caruaru é famosa por revelar talentos na área da literatura. Isso inclui os poetas populares e eruditos. Mas esse mundo gira em torno dos homens, um cenário machista e que precisa mudar e mostrar a outra face das rimas, estrofes e versos femininos.

Entre tantos talentos femininos existentes em nossa cidade, hoje resolvi atender um pedido do meu amigo e pesquisador das coisas da nossa terrinha, Lula Teófilo, um leitor assíduo de VANGUARDA que sempre me cobrou uma reflexão a respeito da obra da filha do Major Sinval, Cacilda Santos.

Pois bem. Ela nasceu em Caruaru no dia 9 de junho de 1914. Professora do grupo escolar Joaquim Nabuco, oradora nata, era solicitada por toda a classe social de Caruaru e vizinhança para diversos encontros, sempre mostrando talento e competência. Chegou a representar por várias vezes o Central Sport Club. Com uma forte relação com a igreja católica, Cacilda se doou de corpo e alma em favor da sua fé e compromisso em servir ao sagrado. Chegou a participar com destaque do Congresso Eucarístico Nacional, realizado em 1939, no Recife. O sucesso foi tanto que foi escolhida para representar a juventude católica de Pernambuco, chegando a ser a representante oficial do Brasil naquele ano.

Cacilda morreu em 22 de janeiro de 1992. Alguns dizem vítima da solidão e da depressão da vida. Para tanto, Caruaru se orgulha do seu talento e da sua arte. Ao amigo Lula, tarefa cumprida e, como pediu, segue algumas trovas da sua poesia como prova do seu talento:

A alma do mundo

O mundo tem uma alma como a nossa
A natureza também chora e canta,
Chora, palpita, treme, brinca e ri
Sem saber quanto prende e quanto encanta

Quem não viu o prado todo verde,
Muito cheio de flores pequeninas?
O mundo tem su'alma toda em festa,
As flores são os risos das campinas.

Depois muda o cenário, o sol chega,
Cantos vibrantes ouvem-se fecundos:
É que sonha a natura; ela ama o sol,
Os cantos d'aves são cantar dos mundos. (...)

 
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