No dia 7 de setembro queremos celebrar a nossa Independência. Sabemos, porém, que sempre há tentativas de impedir que se realize este sonho de todos os brasileiros e brasileiras. Um dos impedimentos, sem dúvida, é a falta de uma justa distribuição das terras. Por isso o Grito dos Excluídos deste ano quer chamar a nossa atenção sobre este problema. E os organizadores aderiram a uma proposta do Fórum Nacional de Reforma Agrária que sugere realizar um plebiscito de iniciativa popular pelo limite da propriedade da terra.
Qual é a posição da CNBB? Veja a declaração dos bispos:
Por diversas vezes, os bispos brasileiros, à luz do Evangelho, do Ensino Social da Igreja e da opção pelos pobres, têm se pronunciado sobre a questão agrária, conscientes das injustiças que se cometem no campo pela concentração da terra e exploração do trabalho, entre outras causas. Dentre as orientações emanadas sobre essa questão, destacamos o recente Estudo n. 92 da CNBB, Igreja e Questão Agrária do Início do Século XXI (2010).
"O Ensino Social da Igreja denuncia também as insuportáveis injustiças provocadas pelas formas de apropriação indevida da terra" (Pontifício Conselho Justiça e Paz, Para uma Melhor Distribuição da Terra - O desafio da reforma agrária, 1997, nº 33). Entendemos que "a reforma agrária representa não só um instrumento de justiça distributiva e de crescimento econômico, mas também um ato de grande sabedoria política. Ela constitui a única resposta concretamente eficaz e possível, a resposta da lei ao problema da ocupação das terras" (nº 44).
A proposta do plebiscito de iniciativa popular pelo Limite da Propriedade da Terra no Brasil em defesa da Reforma Agrária e da Soberania Territorial e Alimentar, a ser realizado no início do mês de setembro do presente ano, será em sintonia com o ensinamento da Igreja, que afirma ser o "latifúndio intrinsecamente ilegítimo". A proposta do plebiscito tem origem no Fórum Nacional pela Reforma Agrária e foi assumida como gesto concreto das igrejas que realizam a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 (texto base, nº 120). Não é, portanto, de iniciativa da CNBB, nem se realiza sob sua responsabilidade.
Contudo, as pastorais sociais estão dando apoio à realização do plebiscito, explicitado pela Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz. Entendemos que esse gesto está em sintonia com as orientações da CNBB sobre as questões da terra.
A Diocese de Caruaru se une a esta iniciativa com a consciência de que a independência se constrói no esforço por uma justa distribuição dos bens dados por Deus. |