Este ano, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru (Fafica) completa meio século. Mês passado, comemorações marcaram a data, com direito a missa e homenagens. Recebi convite, mas não pude ir. Estava a fazer o que a Fafica me ensinou durante quatro anos. Sou professor. Formado e pós-graduado por ela. E tenho orgulho disso.
Comecei meus estudos lá em 1991. Tinha apenas 16 anos. O vestibular para o curso de Letras tinha concorrência bem maior que hoje, mas também não era lá essas coisas. Naquela época, já eram poucos os que realmente queriam se tornar professores. Tive a honra de ter estudado com o professor Mafra, uma lenda viva da língua portuguesa aqui na cidade e na região. Eu, que tinha sido aluno no ensino médio da não menos marcante Terezinha Almeida, estava mais uma vez diante de um grande professor de Português. Foi com eles a minha formação, embora minha vocação para professor de Português tenha nascido realmente nas aulas de meu mestre de 5ª e 6ª séries, o inesquecível Feliciano.
Na Fafica, tive outros grandes professores. Enumerá-los seria injusto, porque o tempo me faria esquecer algum. Mas não posso deixar de citar a professora de Inglês Margaret Pereira, cuja sabedoria sempre foi muito além do conhecimento do idioma de Shakespeare.
Passei seis anos na Fafica - quatro no curso de Letras e dois na especialização. Tenho excelentes lembranças de lá.
Hoje, vejo a concorrência pífia dos cursos de formação de professores. Não é só lá. Segundo dados recentes do MEC, apenas 2% dos alunos que se submetem ao vestibular buscam as licenciaturas. E entre estes está boa parte dos que tiram notas mais baixas no ensino médio. Ou seja, ser professor no Brasil é a última opção de muita gente. E é com essa triste realidade que a Fafica tem de lidar também. Não sei se algum aspirante a professor irá ler este jornal. Mas, se isso acontecer, quero deixar um testemunho: a Fafica é uma instituição séria, preocupada com a formação de seus alunos. Entretanto, ninguém pode esquecer que, para ser professor, é preciso ter um ideal, e não apenas um diploma.
Dia desses, li em meu Orkut o depoimento de uma aluna que entrou este ano em Letras, Karilayne Patrício. Ela era uma das melhores de sua turma no ensino médio. Um doce de menina, inteligentíssima e aplicada aos estudos. Ela escolheu realmente a Fafica. Escreveu que estava apaixonada pelo curso e que tudo era maravilhoso. Vi nela o encanto que eu tinha quando estudava lá. Um dia, eu era apenas um adolescente que passou pelas mãos de mestres como Feliciano, Terezinha Almeida e Mafra. Hoje, sou um professor que deve tanto a eles e à Fafica. Mas também sou alguém que, ao ver uma excelente aluna escolhendo o curso de Letras, ainda pode acreditar no amanhã. Vida longa à Fafica. Sucesso àqueles que desejam realmente seguir a carreira de professor. Só a educação fará o Brasil ser melhor. |