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13/01/2018
Superpopulação de cágados no Rio Ipojuca chama atenção
 

Os animais estão em fase de reprodução acima do normal devido também à ação do homem junto ao meio ambiente. Cuidados devem ser tomados

Jaciara Fernandes

Uma cena vem chamando a atenção de quem passa pelas margens de alguns trechos urbanos do Rio Ipojuca, em Caruaru. A grande quantidade de cágados na água é uma constante nos últimos dias, principalmente na Ponte Aristides Veras (a conhecida Ponte do Colégio Sagrado Coração), e na passagem molhada do Vassoural. Em algumas situações, os animais se misturam com o grande lixão em que se transformou o rio que, no passado, era cartão-postal da cidade, espaço de lazer e sobrevivência para dezenas de lavadeiras de roupas.

Os cágados são denominados popularmente de ‘tartarugas de pescoço de cobra', mas suas diferenças com as tartarugas e os jabutis são pequenas e possuem como predadores gambás, cobras, sapos, garças, gaviões e ratos. Por preferir uma alimentação bem diversificada, baseada em pequenos peixes, moluscos, anfíbios, insetos, crustáceos, vermes e vegetais, procura as água para garantir a sua sobrevivência.

No Rio Ipojuca está ocorrendo uma situação única, uma superpopulação de cágados. Os fatores que contribuem para este fenômeno são o período de reprodução - que começou no mês de setembro e vai até o final de janeiro -, as condições climáticas, ausência de predadores e grande oferta de alimento encontrada nos dejetos humanos despejados no rio através dos esgotos.

De acordo com o biólogo Alexandre Henrique Nunes, diante da ação lastimável do homem em degradar o meio ambiente, existem construções irregulares e plantios de verduras e legumes nas margens do Rio Ipojuca. "Consequentemente esta superpopulação entrará em contato com o ser humano para consumir as verduras e hortaliças, trazendo micro-organismos e vermes, atuando como vetores de doenças", alertou.

Os cágados depositam de 1 a 12 ovos em buraco com 60 cm de profundidade e ficam incubados aproximadamente de 80 a 100 dias na margem de rios e, diante de um calor mais intenso, nascerão mais fêmeas e, curiosamente, com menor intensidade de calor nascerão os machos. Naturalmente, os ratos sentem o cheiro dos ovos depositados e cavam para o consumo. Pelo menos era assim que acontecia. Porém, diante da quantidade de lixo depositado nas margens do Ipojuca, modificou este cenário e os roedores passaram a consumir restos de alimentos que são jogados, deixando os ninhos intactos. Com isso, acontece o desequilíbrio da natureza e a superpopulação dos cágados.

Durante esta reportagem, percebi a presença de muitas pessoas nas pontes e nas passagens molhadas observando o grande número de cágados. Alguns curiosos, sem saber, agem inadequadamente prejudicando esses animais ao jogar pedaços de pão no rio para alimentá-los. "É de extrema importância que as pessoas não alimentem esses animais devido a diversos fatores, a exemplo da perda do instinto de caça, alimentos pobres em nutrientes e, consequentemente, surgimento de doenças", afirmou o biólogo.

Maria Estelita é um exemplo de quem acha que está praticando o bem para os animais. Dona de um banco fixo de confecção no Parque 18 de Maio, nesta época do ano ela está sempre com um pacote de pão para os cágados. "Eles se apressam em pegar cada pedaço que a gente joga. É como se estivessem com bastante fome", justificou, cheia de boas intenções.

Segundo Alexandre Henrique Nunes, em aproximadamente três ou quatro meses, deverá ocorrer uma queda na superpopulação desses cágados. "Isso ocorrerá devido aos animais se deslocarem à procura de alimentação no que podemos chamar de novos territórios", explicou Nunes, acrescentando que até lá cuidados devem ser tomados.

CURIOSIDADES

Os cágados pertencem ao reino animalia, filo, cordata, da classe reptilia, da ordem de quelônios ou testudines e família chelidae. Eles vivem aproximadamente 70 anos e há registros da existência de 40 espécies no mundo e 25 no Brasil.

 

 

 

 
 
 
 
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