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21/11/2009
Gravação ilegal de DVD destrói família
 

O fato ocorreu em Caruaru e envolveu um advogado, um corretor e sua ex-esposa. À reportagem, o corretor, sentindo-se traído, disse que o caso destruiu sua família

Wagner Gil

Há pelo menos duas semanas que um dos principais comentários em bares, restaurantes e rodas de amigos é o DVD "A traição de Caruaru". São cerca de 40 minutos de gravação com pouca qualidade técnica, em um motel da Capital do Agreste, envolvendo uma jovem de quase 30 anos, casada com um corretor há mais de 15, e um advogado bastante conhecido na cidade. Ela, mãe de dois filhos, e ele também casado. A gravação foi feita com a utilização de uma caneta espiã e, apesar da polícia estar investigando o caso, nada foi repassado à imprensa. Segundo o delegado Eric Lessa, títular da 1ª Delegacia e responsável pelo inquérito, as investigações seguem em sigilo e nada pode ser revelado.

Nossa reportagem, no entanto, teve acesso a algumas informações importantes sobre o caso, inclusive da apreensão de dezenas de DVDs, pela Polícia Civil, na Feira da Sulanca, mas ninguém foi preso. A medida não inibiu os "piratas" e aproveitadores da situação. O DVD hoje é recorde de vendas entre os ambulantes. "Vendo uma média de 20 por dia, mas de uma forma discreta e sem a capa que vinha na primeira semana", disse um dos quatro camelôs ouvidos pelo VANGUARDA em um movimentado restaurante da cidade.

Segundo informações que chegaram ao VANGUARDA, repassadas pelo próprio corretor, a gravação não teve autorização da sua então esposa. "Ela me disse que não sabia de nada e, quando ela ameaçou a não continuar com o relacionamento, o advogado revelou que tinha um vídeo gravado e que esse material poderia chegar na internet. Ele tem muito ciúme de mim", disse.

Bastante conhecido, o corretor contou, em pouco mais de duas horas de entrevista, que os problemas de relacionamento com sua esposa começaram em 2008, quando ela resolveu se separar dele e foi morar com a sogra. "E.R. foi para a casa da minha mãe, que resolveu passar uns dias fora para a gente se acertar e fomos levando nosso relacionamento numa boa. Algumas pessoas começaram a comentar que ela estava saindo com um homem casado, mas não acreditei. Estávamos juntos desde os 13 anos dela. Quando falei com ela sobre esse assunto (a traição) algumas vezes, ela me pedia provas", disse o corretor. "Até minha filha ficou sabendo e teve que ficar calada a pedido da mãe", revelou.

AUDIÊNCIA
O corretor reclama ainda que mesmo morando com ele, E.R. entrou na Justiça pedindo a separação, tendo como advogado o próprio amante. "Comecei a desconfiar porque ela dizia uma coisa em casa e na frente da juíza mudava tudo, era a influência dele. Até que minha mãe perguntou a ela: como você, morando aqui, coloca meu filho na Justiça? A partir desse dia ela saiu de casa indo morar com seus pais, praticamente assumindo o relacionamento extraconjugal. Os meninos ficaram com ela, depois vieram morar comigo, justamente por causa da situação de E. R. se envolver com um homem casado", disse o corretor.

Ele lembrou que, a partir daí, o advogado passou a ter ciúmes em excesso, chegando a dizer para E.R. que iria montar um flagrante de drogas para lhe prender. "Quando eu soube disso, através dela mesmo que estava preocupada comigo, prestei uma queixa que está anexa ao processo." O corretor disse ainda que a ex-esposa fazia algumas revelações do relacionamento amoroso, como contar sobre uma viagem que os dois fariam juntos em novembro deste ano, comemorando um ano de relacionamento.

O corretor disse que chegou a devolver uma TV LCD de 32 polegadas que o advogado tinha presenteado sua ex-esposa. "A TV estava na casa da mãe dela. E. R. foi quem me pediu que eu devolvesse a TV. Quando deixei o equipamento com a empregada, na mesma hora liguei para a esposa dele. Ela me disse que estava sabendo do caso e que faria tudo para não deixar sua família ser destruída. Eu disse a ela que a minha família já tinha sido destruída", revelou.

O DVD
O marido disse ao VANGUARDA que ficou sabendo da existência do DVD através da própria E. R. "Ela chegou aqui na minha loja chorando muito e dizendo que tinha algo para me contar, mas não tinha coragem. Depois de alguns minutos, ela me falou da existência do DVD. Ele a levou para um motel e exibiu a gravação. Chocada, me procurou e disse que se acabasse o relacionamento com o advogado, ele exibiria o material na internet. O advogado chegou a passar algumas mensagens para o celular dela dando prazo de 15 minutos; depois dez, cinco minutos", relatou.

Na cidade, comentava-se que, ao ter acesso ao material em que sua esposa praticava sexo com outro homem e ainda com a aliança do casamento na mão esquerda, o corretor teria reunido seus sogros, a filha de 14 anos e exibido o filme. "Isso é uma mentira. Jamais iria mostrar cenas grotescas à minha filha", disse. "Eles destruíram a minha família e minha vida. Onde passo, as pessoas me olham diferente e o movimento na minha loja caiu muito, muito mesmo", revelou o corretor.

Ele afirmou que recebeu ainda acusação de ser o responsável pela divulgação do material. "Só tive acesso a esse DVD depois que algumas pessoas próximas tiveram. Jamais iria fazer isso (divulgar o DVD para outras pessoas), pois estaria me prejudicando mais ainda." VANGUARDA tentou falar com o advogado H.J., mas ele recusou-se a falar. Disse que o caso estava em segredo de justiça e não falaria.

OAB
Apesar do Código de Ética da OAB, em seu parágrafo 1º do Artigo 2º dizer que no seu ministério privado o advogado presta serviço público e função social, a regional da Ordem dos Advogados do Brasil só vai se reunir para tratar do assunto no dia 15 de dezembro, quando acontece a reunião mensal. VANGUARDA chegou a ouvir o presidente da entidade, Saulo Amazonas, mas ele informou que "já existe um grupo de profissionais que está cobrando uma posição dura da entidade", pois o Código de Ética foi ferido em vários aspectos. "Só temos reunião na segunda terça-feira de cada mês. Em dezembro esse caso será discutido", disse Amazonas.

Um advogado consultado por nossa reportagem criticou a demora da subsecniconal da OAB Caruaru em se posicionar. "Era para convocar o Conselho de Ética de forma extraordinária. Não dá para dizer que o DVD não foi visto por alguns advogados, principalmente quando houve exibição na própria sala dos advogados, no fórum", disse o profissional, que pediu anonimato. "Eu assisti lá", reafirmou ele. Coerente, o presidente Saulo Amazonas disse que não pode agir por impulso. "Não chegou nenhuma queixa na OAB para que convocássemos uma reunião extraordinária."
Ainda segundo o profissional consultado por nossa equipe, o artigo 31 diz que o advogado deve proceder de forma que o torne merecedor de respeito e contribua para o prestígio da classe. "O que ocorreu ali foi uma quebra do nosso Código de Ética. Nesse caso, ele também pode ser enquadrado no inciso XXV: manter conduta incompatível com a advocacia", informou.

Outro caso ainda sem solução
Há pelo menos três anos, uma história parecida com essa aconteceu em Caruaru, quando um casal resolveu gravar uma relação sexual e depois esse material foi parar na internet, tornando-se um dos vídeos mais vendidos pelos ambulantes. O caso foi parar na Justiça. Na ação Cível, houve anulação por não existirem provas de quem tinha vazado o material. Já na Criminal, o processo acabou de chegar na 3ª Vara, depois que dois juízes pediram para não julgar o caso, alegando suspeição. No processo criminal, o homem é acusado de estupro, pois estaria utilizando as gravações para manter relacionamento sexual com sua ex-amante.